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21 de Janeiro de 2018
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    FBI começará a rastrear casos de crueldade contra animais em 2016

    Foto: Divulgação/Humane Society

    No próximo ano, o FBI (Federal Bureau of Investigation) vai começar a investigar casos de crueldade contra os animais. Até agora, os crimes relacionados a animais têm sido relatados em uma categoria genérica no Sistema Nacional de Comunicação de Ocorrências (National Incident Based Reporting System) do FBI, um banco de dados que coleta os relatórios de crimes dos departamentos de polícia em todo os Estados Unidos.

    Com essa mudança, os ativistas esperam que os crimes contra animais passem a ter mais atenção e a ligação entre o abuso de animais e outros crimes violentos seja ressaltada.

    “Não havia nenhuma maneira de descobrir quantas vezes isso ocorre, onde ocorre e se havia aumento”, explica Mary Lou Randour, conselheira sênior para programas e educação sobre crueldade contra os animais no instituto sem fins lucrativos Animal Welfare Institute. “Os dados empíricos são importantes. Eles vão nos dar informações sobre os crimes de crueldade contra animais para que possamos planejar melhor sobre intervenções e prevenção.”

    Para Randour e outros ativistas, rastrear casos de crueldade contra animais é importante porque pesquisas mostram que a violência contra animais pode ser um indicador precoce de que uma pessoa vai ser violento também com seres humanos, além disso o abuso de animais ocorre frequentemente ao lado de outros crimes, como a violência doméstica.

    “Na abuso animal, você tem poder total sobre o animal”, explicou o promotor Adam Lippe, que lida com casos de crueldade, ao Baltimore Sun. “Se você está disposto a exercer esse poder de uma forma cruel, maliciosa e maldosa, então é provável que você faça isso com as pessoas, também, que não têm poder, como crianças e adultos vulneráveis. É uma questão de falta de empatia. ”

    Segundo a National Link Coalition, que promove a compreensão da conexão entre o abuso de animais e outros crimes, testemunhar a negligência e o abuso contra animais pode dessensibilizar uma criança à violência e impedir o desenvolvimento de empatia.

    De acordo com Randour, um cônjuge pode usar a violência e as ameaças contra animais domésticos como parte de um padrão de abuso.

    “É uma forma de violência interpessoal”, explicou. “É uma outra maneira de tentar ganhar controle e poder ou exercer intimidação.”

    Casos mostram que alguns serial killers maltratam animais quando são jovens.

    Segundo o FBI, a partir de janeiro, os departamentos de polícia estadunidenses serão obrigados a denunciar crimes relacionados a animais à base de dados. O FBI vai classificá-los como um “crime contra a sociedade.”

    Ocorrências serão divididas em quatro categorias: negligência; maus-tratos e tortura intencionais; exploração organizada, como lutas de cão e de galos; e abuso sexual.

    Programa Uniforme de Notificação de Crimes do FBI é usado por criminologistas, aplicadores da lei e pesquisadores.

    John Thompson, vice-diretor executivo da Associação Nacional de Delegados, incentivou a mudança.

    Segundo ele, há algumas décadas atrás, a crueldade contra animais não estava no radar de muitos oficiais da lei.

    “Se houvesse um crime, teríamos apenas de enviá-lo para o controle de animais ou ignorá-lo”, afirmou Thompson.

    Alguns departamentos de polícia agora têm recursos dedicados para os animais. A sensibilização do público também aumentou através de casos de alta visibilidade.

    Para Thompson, uma vez que o FBI comece a rastrear os casos, pode demorar cinco ou seis anos até que haja dados suficientes para analisar tendências.

    De acordo com Dr. Martha Smith-Blackmore, um veterinário forense que estuda casos de abuso animal, os dados devem ajudar especialistas a analisarem as origens e os padrões de abusadores de animais.

    “Quando eu comecei a ver casos de crueldade contra os animais, percebi que esses animais estão presos nas mesmas famílias disfuncionais e sofrendo os mesmos males que as pessoas presas nestas famílias”, disse ela.

    “Espero que [os novos dados]nos tragam à tona algumas informações sobre os abusadores animais, quem eles são, quais suas origens”, afirmou Smith-Blackmore.

    *É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

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