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12 de Agosto de 2020
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    Radares derrubam pela metade matança de animais na BR-262

    A instalação de mais radares eletrônicos na BR-262 entre as cidades de Anastácio e Corumbá, a mais importante via de entrada ao Pantanal, um corredor de 284 km, é um dos fatores que derrubou pela metade o índice de atropelamentos de animais, se comparado ao último estudo oficial, concluído em maio de 2012, quando eram anotados em torno de três bichos mortos a cada dois dias.

    Hoje, por esse trecho, o motorista cruza por ao menos duas dezenas de redutores de velocidade, três vezes mais que os equipamentos instalados ali até cinco anos atrás.

    Pesquisas que acompanham o ritmo descabido da matança de animais silvestres por meio de atropelamentos de carros, caminhões e ônibus ocorrem desde a segunda metade dos anos 1990, período cruel para os bichos – eram quatro mortes por dia.

    Agora, controla a pesquisa o Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura, o ITTI, braço da Universidade Federal do Paraná (UF-PR), instituição que desde 2012 desenvolve na BR-262 o Programa de Monitoramento de Atropelamentos de Fauna.

    De junho de 2011 a maio de 2012, o engenheiro ambiental Eduardo Mattos, do ITTI, atravessou por seguidas vezes a estrada que ruma ao Pantanal, a partir de Anastácio, e apurou que no período 610 animais, entre os quais serpentes, tamanduá-mirim, tamanduá-bandeira, quatis, veados, capivaras e aves foram mortos atropelados.

    Mattos disse que vai retomar a pesquisa pelo mesmo trajeto, a partir deste mês. Ele não quis arriscar um percentual indicando a queda no atropelamento, no entanto, acha que as mortes “caíram mais da metade”.

    Autoridades da Polícia Militar Ambiental de Mato Grosso do Sul, que atuam no combate diário aos acidentes, compartilham a interpretação do biólogo.

    Com os dados indicando 610 atropelamentos de bichos, num ano, o biólogo do ITTI propôs à regional do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit), responsável pela estrada, a instalação de dispositivos de proteçâo a fauna, como radares, em trechos na BR, principalmente entre Miranda e Corumbá, onde ocorriam mais acidentes.

    Além dos redutores de velocidade, o ITTI sugeriu a instalação de telas e do corte da vegetação mais densa que atrapalha a visibilidade dos motoristas.

    Importância

    José Nilton da Silva Santos, 33, dez dos quais trabalhando como motorista, disse que até dois anos atrás, transitar entre Anastácio e Corumbá “era complicado demais”.

    “Sem os radares, os motoristas corriam bem mais e os acidentes eram inevitáveis. Os caminhões simplesmente passavam por cima dos bichos e iam embora. Já os condutores de carros pequenos tentavam de algum modo evitar, mas muitos deles morriam por isso”.

    Segue Silva Santos: “com a batida, o carro sai da pista, capota e a tragédia é pior. Agora, com os radares, os motoristas ficam bem mais atentos, tanto que notamos a redução de acidentes já faz algum tempo”, disse o motorista.

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