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17 de Janeiro de 2019
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    Fotógrafo brasileiro documenta exploração animal pelo mundo

    Por Barbara Pettres (em colaboração para a ANDA)

    O brasileiro Jon Amad, ou Jonas Amadeo Lucas, 35 anos, dedica-se à fotografia investigativa de exploração animal nas mais diversas situações, em granjas de suínos e aves, laticínios, zoológicos, na indústria da moda e do entretenimento ou para fins religiosos. Gaúcho de Santa Cruz do Sul, vive em Madri, no santuário-escola El Hogar de Luci, onde trabalha para a ONG Igualdad Animal e seu site The Animal Day.

    Amad já realizou investigações em mais de 20 países, como a documentação em 172 granjas de suínos na Espanha, à noite, durante três anos, em granjas de foie gras na França, confinamentos de vison para extração da pelé, laboratórios farmacêuticos ou em alto-mar, na pesca de atum na Itália, em que os peixes ficam nadando em círculos por semanas, cercados pelas redes de centenas de metros.

    No Brasil, fez poucos trabalhos, porém veio agora visitar a família e também para mais uma investigação, ainda sigilosa. Chamado de ecoterrorista, ameaçado de morte, responde a dois processos, um deles na Espanha, onde é acusado de ter libertado milhares de visons junto com outros ativistas, o que ele nega. Casado com uma espanhola, pode ser preso ou extraditado por conta do processo. Ele contou suas experiências numa palestra em Florianópolis, nesta quarta, dia 27, organizada pelo Instituto É o Bicho e núcleo Ecomoda da Udesc, a universidade estadual.

    Amad fotografava moda e colaborava com jornais. Estudou direção de fotografia para cinema e em 2007, na Espanha, quando pesquisava comunicação, teve contato com informações sobre relacionamento dos humanos com outras espécies. Tornou-se vegano e ativista, movido por uma necessidade de produzir informações sobre o que tinha acabado de descobrir. “Este é o maior problema que já existiu, a maior injustiça, a maior discriminação. Outras espécies não são coisas, são outros grupos sociais, falam outros idiomas, e o que de verdade muda algo são nossas ações”, disse.

    Para bancar as viagens e o equipamento fotográfico, conta com doações por meio do seu site. Sua equipe inclui etólogo (especialista em comportamento animal) e cinegrafista. Para acessar os locais onde irá fotografar, precisa passar-se por repórter, profissional da área de alimentos, comprador ou vendedor de algum serviço ou o que for necessário, mesmo entrar à noite, escondido. Numa granja de foie gras, foi preso com outras sete pessoas e ameaçado de morte, mas o grupo conseguiu sair por ter levantado a dúvida de que eram jornalistas.

    Pelas fotos, o modelo da cadeia industrial da pecuária se repete em vários lugares, assim como é no Brasil, com as celas de gestação para as porcas, que num espaço exíguo não conseguem se virar ou cuidar dos filhotes, apenas deitar e levantar, gerando feridas pelo atrito com as barras de ferro, num tédio permanente, ou ainda as galinhas poedeiras criadas em baterias de gaiolas, que nunca tocam o chão, não podem ciscar ou abrir as asas, privadas da possibilidade de desenvolver qualquer comportamento natural. “Já fotografei mais de 100 mil animais explorados, em sofrimento ou privados de liberdade. Vi milhares sendo mortos, e em todos, havia sempre algo comum, o desejo de seguir vivendo”.

    Ao final da palestra, Amad soube que estes são os dias em que mais ocorre farra do boi no litoral catarinense, às vésperas da Páscoa, sendo que uma poderia ocorrer em Florianópolis naquela noite mesmo, perto da universidade onde estava. Incansável, estava buscando informações com o público para sair fotografar.

    Amad fará outra palestra em São Paulo, dia 02/04, às 19h30, na Matilha Cultural, com realização do Veddas e Vista-se.

    Mais informações:

    www.igualdadanimal.org

    www.theanimalday.org

    www.elhogardeluci.org

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